O artista carioca Maxwell Alexandre integra a exposição “Carolina Maria de Jesus: um Brasil para os brasileiros”, no Instituto Moreira Salles Paulista. Na mostra, ele apresenta uma obra da série “Patrimônio”, de 2017. A exposição é dedicada à trajetória e à produção literária da autora mineira que se tornou internacionalmente conhecida com a publicação de seu livro Quarto de despejo, em agosto de 1960. Tem como objetivo apresentar sua produção autoral que incluiu a publicação, em vida, de outras obras, além de destacar suas incursões como compositora, cantora, artista circense. Uma multiartista.

Obra da série “Patrimônio”, de Maxwell Alexandre.

Protagonista importante da história do Brasil, embora invisibilizada muitas vezes, Carolina tem um papel particularmente significativo para a história da população negra brasileira. A exposição apresenta a autora como uma intérprete imprescindível para compreender o país.

CMJ nasceu em Sacramento (MG), em 1914, e faleceu em São Paulo (SP), em 1977. Enveredou por diversos gêneros literários – romance, poesia, teatro, provérbios, autobiografia, contos. No entanto, é mais conhecida pela escrita de diários, o que rendeu seu livro maior êxito comercial, Quarto de despejo. Sucesso editorial que pode ser medido pela sua tradução imediata para 13 línguas.

O acervo de Literatura do Instituto Moreira Salles tem sob seus cuidados dois manuscritos de Carolina Maria de Jesus – intitulados Um Brasil para os Brasileiros – e seu disco com composições próprias, também chamado Quarto de Despejo. Eis o ponto de envolvimento e de partida do IMS na elaboração da ideia.

Esta exposição tem curadoria do antropólogo Hélio Menezes e da historiadora Raquel Barreto, com a colaboração de uma equipe externa e autônoma ao IMS na elaboração do projeto. A pesquisa literária nos manuscritos inéditos da escritora é feita pela doutora em letras Fernanda Miranda. Carolina Maria de Jesus: Um Brasil para os brasileiros é resultado de um enorme esforço para destacar a grandeza da escritora e apresentá-la como convém: mulher negra e artista emancipada, símbolo de resistência e de luta política e cultural para o país.

A exposição pode ser visitada até 30 de janeiro de 2022.