O ilustrador Nelson Cruz, que participa dos 10 anos do Festival Artes Vertentes – Festival Internacional de Artes de Tiradentes, recebeu o Prêmio Jabuti, juntamente com o autor João Luiz Guimarães, por ‘Sagatrissuinorana’ – o Livro do Ano do 63º Prêmio Jabuti. A obra, publicada pela Ôzé Editora, que homenageia João Guimarães, reconta a fábula dos Três Porquinhos, mas tendo como pano de fundo o rompimento das barragens das cidades de Brumadinho e de Mariana.

Nesta sexta-feira, dia 3, às 19h, haverá a live “Sagatrisuinorana – porque todo conto pode ser recontado à vera”, com Nelson Cruz e João Luiz Guimarães, no Canal do YouTube e na página do facebook do Festival Artes Vertentes . A apresentação é de Gustavo Carvalho.

A décima edição do Festival Artes Vertentes de Tiradentes, com a direção artística de Gustavo Carvalho e direção executiva de Maria Vragova, apresenta uma intensa programação que abrange as diversas linguagens artísticas que, tradicionalmente, integram a programação do festival – música, literatura, cinema, artes visuais e artes cênicas – e, este ano, é realizado em dois períodos. Neste primeiro momento, que se estende até 20 de fevereiro de 2022, o mote curatorial é a água.

A participação de Nelson Cruz na 10ª edição do FAV se dá a partir de um diálogo com os desenhos Benjamina – transformados no livro homônimo do autor (Editora Miguilim, 2019) – na realização do mapeamento das árvores existentes no município de Tiradentes, assim como a percepção dessa flora como uma grande farmácia a céu aberto. O processo integrará a população tiradentina, promovendo um diálogo entre a oralidade local e o importante conhecimento transmitido pelos artistas viajantes naturalistas sobre a flora da região. Os desdobramentos deste período de residência, assim como a exposição Benjamina, serão apresentados ao público entre os dias 10 e 20 de fevereiro de 2022, na cidade mineira de Tiradentes.

O Festival, que está na segunda semana, teve início, no dia 25 de novembro com um concerto de piano a quatro mãos, conduzido pelos pianistas Cristian Budu, vencedor do renomado Concurso Internacional de Piano Clara Haskil (Suíça), e Gustavo Carvalho, também diretor artístico do Festival Artes Vertentes, além da abertura da exposição “Brasil, Hy-Brasil” (que fica em cartaz até 30 de dezembro, no Centro Cultural Yves Alves), do artista visual Eduardo Hargreaves. Por meio da pintura, de objetos e de animações, o artista mineiro reflete sobre as relações construídas entre o íntimo de um indivíduo e o lugar e paisagem que o norteiam.

O ilustrador Nelson Cruz

Quatro residências artistas fazem parte do FAV 2021: dos ilustradores Marilda Castanha e Nelson Cruz, da ceramista francesa Mari Mael e do artista visual capixaba Rick Rodrigues.

A presença da água no município de Tiradentes e na região, a rica biodiversidade ligada a este elemento, o Rio das Mortes e o simbolismo deste curso fluvial na história de Minas Gerais, estado profundamente marcado pelo extrativismo mineral, são os impulsos que guiarão os processos artísticos de Mari Mael e Rick Rodrigues. Já Marilda Castanha concluirá durante a sua residência uma instalação que começou a ser concebida durante dois períodos de residência artísticas anteriores, realizados em novembro/dezembro de 2020 e julho de 2021. Às vésperas do centenário da Semana de Arte Moderna, Cobra Norato será o protagonista da instalação, um processo coletivo, realizado com as crianças, adolescentes e adultos de Tiradentes que participam da Ação Cultural Artes Vertentes.