“Macaco – Relatório a uma academia” é um solo com 50 minutos de duração, gravado no Teatro Gláucio Gil, e será apresentado de 12 a 16 de maio pela plataforma Funarj em Casa. A peça é uma adaptação do diretor Beto Brown a partir do conto de Franz Kafka “Relatório a uma academia”, publicado em seu primeiro livro, em 1917, e interpretada pelo ator Eduardo Andrade. Franz Kafka é um dos nomes mais importantes na literatura moderna, autor de, entre outras obras, ‘Metamorfose’ e ‘O Processo’. Passados cem anos, seu texto segue moderno, contemporâneo, com ficção e ironia.

O ator Eduardo Andrade, que leva essa adaptação para a cena, carrega uma vivência de mais de 30 anos como palhaço. Andrade é ator, cenógrafo, artista plástico e palhaço profissional desde 1988. Membro da primeira formação da Intrépida Trupe e do grupo Irmãos Brothers, ficou conhecido como o palhaço Dudu. Eme também é formado em Desenho Industrial pela UERJ, e é mestre e doutor em design pela PUC Rio, onde atualmente é pesquisador.

“Essa fábula genial e intrigante, publicada em 1917, é hoje revista e montada em um cenário caótico e pandêmico, em que a sobrevivência está cada vez mais relacionada a nossa capacidade de adaptação aos novos tempos”, revela o ator.

O texto conta a história de um macaco que é capturado na África no começo do século passado, e levado para Hamburgo, a fim de ser exibido em um zoológico. Durante sua viagem, dentro de uma pequena jaula em um navio a vapor, ele percebe que, pela primeira vez em sua vida, não tem saída e morrerá se não encontrar uma alternativa. Observando os marujos do navio, consegue desenhar e construir uma virada que o transformará totalmente. Com muito esforço, consegue uma façanha de que não se tem notícia de outro caso parecido: chega à formação média de um europeu intelectual.

“Eu já trabalho com Dudu há 25 anos. Essa peça é então a comemoração de bodas de prata da parceria que iniciamos no primeiro espetáculo dos Irmãos Brothers, que eu dirigi. Dudu foi um dos fundadores dos Brothers. Li o conto e resolvi reconta-lo com minhas palavras, sem fugir da história original, que foi aos poucos se entranhando em mim e avançando sob meus dedos no teclado e revelando aspectos interessantíssimos e ultra atuais”, declara o diretor Beto Brown.

“O macaco se viu sem saída e sem saber o que pensar. Não pensou, não planejou, apenas se acalmou o quanto pôde e observou o máximo possível. E qual um sapien, sem saber, acumulou e organizou observações e pensamentos. Virou outra coisa jamais antes desejada ou sonhada por ele, que provavelmente nem sabia o que era sonhar. Mas ele foi além. Chegou onde precisava e até mais longe. Uma transição muito bem sucedida”, acrescenta Brown.

“Assim como o projeto, que antes se tratava de uma montagem teatral, sofreu mudanças pela pandemia e passou a ser pensado como um produto audiovisual, esse desafio mobilizou novas formas de pensar e de buscar saídas que mantivessem, nessa nova linguagem, a intensidade do texto presencial”, arremata Andrade.

Serviço:
Macaco – Relatório a uma academia
Estreia dia 12 de maio (quarta-feira), às 20h
Mais quatro apresentações: dias 13, 14 e 15 de maio, às 20h
Dia 16 de maio (domingo), às 19h
Apresentações online na plataforma Funarj em Casa
Ingresso solidário R$ 10
Ingresso consciente R$ 20
Ingresso participativo R$ 30
Cortesia Cativos – Grátis (Funarj)

Na semana seguinte, na plataforma do ARTE5, apresentações gratuitas, uma delas dedicada à acessibilidade, com intérprete de libras, debates e oficina.