MAM tem nova direção e proposta mais inclusiva

Noite de abertura: projeção de Thiago Rocha Pitta no foyer do Museu

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, agora com seus novos diretores artísticos Keina Eleison e Pablo Lafuente quer retomar a alma do que sempre foi o MAM: uma instituição apoiada no tripé arte, cultura e educação.   Daí a atual proposta de um museu mais orgânico e diverso  voltado para atender esta demanda.  A programação atual já contempla de certa forma muito desse anseio. A mostra Campos interpostos reúne 70 obras que revelam um olhar sobre as coleções do MAM Rio a partir de uma ideia de fachada arquitetônica como investigação artística. Pinturas, desenhos, gravuras, fotografias e vídeos  revelam obras de linguagens e períodos diferentes realizadas desde 1940 até nossos dias. Entre os artistas estão Abelardo Zaluar, Nuno Ramo, Rochelli Costi, Nelson Lerner, Ibere Camargo, entre outros.

No programa  Intervenções para a área externa do museu, Thiago Rocha Pitta apresenta Noite de abertura, com uma instalação no vão livre do museu e uma projeção no foyer. Na instalação temos uma fogueira de lenha preparada para queimar uma porta e na projeção o fogo consumindo a mesma. O trabalho é uma referência ao aniversário do trágico incêndio do Museu Nacional  ocorrido em 2 de setembro.

Poça/Possa da artista mineira Ana Paula Oliveira no entanto, além da bonita homenagem à Wanda Pimental, é a exposição individual mais potente da programação. Uma instalação ocupa o Salão monumental do  museu nos fazendo pensar nas questões de estrutura, equilíbrio e relação com o espaço arquitetônico da sala.  A partir de 40 dormentes de madeira que servem de escora para enormes caixas de vidro, contendo material viscoso, a artista cria construções aparentemente prestes a ruir a artista oferecendo um elemento de tensão enquanto lida com questões que envolvem a idéia do efêmero e do instável valendo-se da presença física do espectador e da ameaçadora escala de seus objetos escultóricos.

Poça/Possa – Projeto de Ana Paula Oliveira feito para a Sala Monumental do Museu

A mostra Alucinações à beira-mar reafirma o interesse da nova direção do museu em explorar seu acervo, abrindo possíveis leituras e aproximações entre as obras e os olhares do artista, da curadoria e do público celebrando a capacidade de atravessamento desses olhares a partir do grande acervo do MAM, um dos maiores da America Latina. São 60 artistas e cerca de 200 obras entre pinturas, fotografias, esculturas, gravuras e vídeos que percorrem mais de um século da produção artística brasileira e estrangeira. Há desde fotografias do desmonte do Monte Castelo do Augusto Malta, num registro da mudança física da vida no Rio de Janeiro até o objeto que dá nome à mostra Alucinações à beira-mar do artista contemporâneo Marcos Chaves.

Por fim, a mostra 35 revoluções comemora os 35 anos da dupla Fernando e Humberto, os irmãos Campana . Um mergulho numa poderosa e provocativa produção de uma arte vivente e futurista, que marcaram a trajetória internacional da dupla de designers brasileiros.

Assim, em plena crise das ofertas culturais durante a pandemia, o MAM desenvolve um trabalho multidisciplinar, envolvendo a produção, educação, design e museologia. Uma rigorosa rotina de sanitização incluiu uma limpeza completa nos dutos de ar condicionados e trocas de filtros, cumprindo protocolos e recomendações do Conselho Internacional de Museus.

Os interessados poderão acompanhar as datas da programação e fazer suas reservas online através do site do www.mam.rio