O conceito de uma “bela velhice” é tema de debate de dois cursos ministrados este mês na Casa do Saber Rio, em que Mirian Goldenberg e Bia Rique discutem a relação entre essa ideia, corpo e comida.

A ciência hoje sinaliza para um aumento significativo da nossa expectativa de vida. O cientista inglês Aubrey de Grey defende que, com as células-tronco e a terapia gênica, as pessoas poderão viver até mil anos sem que fiquem mais frágeis, doentes e decrépitas. Há, nesse caso, uma necessidade urgente de colocarmos em xeque os nossos projetos de envelhecimento e inventarmos outros que se enquadrem nessa nova perspectiva que é dada pela ciência, possibilitando assim alcançarmos uma bela velhice.

O assunto é abordado por Mirian Goldenberg em “A Invenção de uma Bela Velhice – Projetos de Vida e a Busca da Felicidade”, curso que acontece nos próximos dias 14 e 21, das 15h às 17h.

Nesses dois encontros, Mirian debaterá questões surgidas ao longo de 25 anos de pesquisas realizadas com 5 mil mulheres e homens, apresentando dados comparativos levantados em outros países e culturas. O objetivo é discutir a invenção de uma bela velhice e compreender as diferenças entre visões, comportamentos e valores de mulheres e homens de gerações variadas, destacando a importância dos projetos de vida em todas as fases da vida. Uma discussão que, necessariamente, abordará temas como felicidade, liberdade, diversidade, uso do tempo, família, amizades e trabalho, entre outros.

Mirian Goldenberg é antropóloga, pesquisadora e professora do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia da UFRJ; doutora em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ; colunista do jornal Folha de São Paulo; e autora, entre outros, dos livros: Tudo o que você não queria saber sobre sexo; Por que homens e mulheres traem?; Infiel: notas de uma antropóloga; A Outra; Homem não chora. Mulher não ri; Por que os homens preferem as mulheres mais velhas?; O corpo como capital; A bela velhice; Corpo, envelhecimento e felicidade; Velho é lindo!;Toda mulher é meio Leila Diniz.

Já “Corpo e Comida na Sociedade Contemporânea – A busca desenfreada pela magreza e juventude” é o assunto dos dois encontros com Bia Rique, dias 18 e 25 de fevereiro, das 19h30 às 21h30.

A comida, o comer e as dietas são assuntos presentes em nosso cotidiano e intensamente divulgados nas mais diversas plataformas midiáticas. Além disso, a vasta literatura e a variedade de filmes e de documentários que surgiram com diferentes abordagens sobre alimentação no final do século XX vêm evidenciando a ascendente relevância dessa temática no mundo contemporâneo.

Tal atenção midiática é um indício de que o alimento carrega bem mais do que a mera função fisiológica de manter nossos corpos vivos e funcionando. Ainda que pareça uma prática corriqueira e aparentemente banal da nossa rotina, a escritora Deborah Lupton pontuou que “comer não é apenas uma questão de matar a fome ou sentir prazer, mas essencial para nossa subjetividade, sentido de self e experiência corporal”.

Nos encontros, a nutricionista Bia Rique apresentará como a mídia e outros equipamentos culturais impactam diretamente na nossa forma de comer e de nos enxergar, convencionando regras que muitas vezes nos tornam reféns do corpo e também da comida.

Bia Rique é mestre em Ciências Sociais pelo Instituto de Medicina Social da UERJ, especialista em Psicossomática Contemporânea e representante oficial no Brasil da International Affiliate of the Academy of Nutrition and Dietetics (IAAND) – afiliada internacional da Academy of Nutrition and Dietetics (AND). Fundadora e chefe do Serviço de Nutrição na 38ª enfermaria de cirurgia plástica do Professor Ivo Pitanguy na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. Autora dos livros “Novos conceitos de alimentação saudável” e “Tabela de equivalências e Comer para Emagrecer – uma filosofia nutricional”.

A Casa do Saber Rio fica na Av. Afrânio de Melo Franco 290 loja 101 (Shopping Leblon – 1º Piso).

Fotos: divulgação